Quando era criança, pouco depois de aprender sobre o universo e o conceito de infinito, tinha perturbadores sonho onde flutuava pela atmosfera, saindo do planeta terra e seguia em direção à escuridade do universo sem ter algo que me segurasse, me parasse. Não havia uma forma que eu pudesse fechar os olhos, imaginar e definir que terminantemente era ISSO. Depois, quando tive melhor contato com a religião de minha família, me disseram que depois de morrer viveríamos para sempre fosse no céu ou no inferno, e lembro de ter ficado angustiada pensando que “para sempre é muito tempo”.

Aquilo que está além, o que vem depois,  o que está no fundo, por dentro, o que impulsiona, o que contém o que, nunca foram tão fáceis para mim de aceitar as respostas que já tinha. E eu passei muito tempo mesmo pensando em cada novo conceito que surgia para mim, tentando chegar a algum ponto, e por vezes até conseguindo desistir de alguns dele e ficar com uma explicação que minimamente me satisfizesse.

E como consequência, eu tenho um péssimo hábito de não conter a tempestade que se faz presente em minha mente. É muito difícil para mim passar superficialmente nas mais simples questões que me deparo no meu dia-a-dia, sempre me pego pensando demais sobre elas e me exaurindo algumas vezes em uma corrente de pensamentos sem fim, como o universo que eu me perdia enquanto dormia.

E então eu transbordo. Falo demais, explico demais, leio demais, e tudo é tão demais que chego a incomodar as outras pessoas, tenho a plena consciência disso. Certa vez, disse que sentia como se eu fosse um raio – rápido, impetuoso, impositivo, destrutivo e impossível de se deter – foi quando me apresentaram um conceito novo: há o para-raio, Raquel.

Quero acolher, não destruir, minha confortante e destrutiva tempestade. E para isso preciso parar meus raios… e não foi para isso que inventaram as palavras?

Pare o raio, Rach.

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