Olá, eu pretendia ser breve, mas não consigo, então esse post será feito em duas partes (ou mais).

No dia 05 de novembro de 2015 houve um desastre que deixou boa parte do país como quem prende a respiração diante de uma situação imaginável. Ontem completou um mês do rompimento da barragem da mineradora Samarco, que deixou um rastro de morte no distrito de Mariana, Minas Gerais, causando danos que ainda não se sabe a extensão e por quanto tempo perdurarão.

Samarco, responsável pela barragem, e por muitos considerada a definitiva culpada do desastre, pertence ao uma espécie de junção entre a Vale (antiga Vale do Rio Doce que era uma estatal, se não me engano, mas que agora deveria mudar para Vale do Rio Que Matamos – sério, pense no diferencial!) e outra empresa estrangeira. Diante do cenário político atual, pude perceber diversas discussões que envolviam principalmente questões referentes ao prejuízo que os políticos trazem ao nosso país.

Houve quem criticasse o posicionamento de Dilma, quem criticasse o capitalismo, quem criticasse a privatização em especial. No entanto, não quero falar desses aspectos, mas sinto que devo pontuar bem claramente que sim, CLARO, culpabilizo as empresas responsáveis pela barragem pela destruição que causaram não só em Mariana, mas por toda partícula do ecossistema que foi e está sendo aos poucos brutalmente destruído por causa do descaso com que trataram a mineração. Sabem o que acho que vocês deveriam fazer com o dinheiro de vocês, não é?

Mas… E quanto a responsabilidade daqueles resíduos?

Eu não parei de pensar por um segundo na mineração. Para ser sincera, pensar nisso não mudou meus hábitos, e  digo que eu estou escrevendo para vocês de um notebook da Dell com acabamento em alumínio, de vez em quando dou uma pausa e verifico meu celular novinho – que comprei mesmo tendo outro que ainda funcionava perfeitamente – e escuto pink floyd em minha TV nova (presente de natal, ano novo, carnaval, aniversário, formatura e pelos próximos dez anos, mas só porque não tenho capital), pois o som é melhor do que o do meu note que fez um ano em outubro.

Todos esses produtos tem alguma ligação com a mineração, na verdade, acredito que se você olhar para qualquer lado agora vai encontrar algum produto obtido da mineração. A barragem que rompeu em Mariana retinha resíduos dos produtos obtidos através da mineração que ocorria naquela região.  Foi necessário o rompimento de apenas uma barragem para destruir um ecossistema, matar um rio, desabrigar inúmeras pessoas.

Foi pensando nisso que eu fiz uma pequena e rápida pesquisa sobre a mineração, mesmo sabendo que em um passado distante eu havia estudado isso em algum momento. Não há o que nos salvasse da destruição que a mineração causa, e que vai continuar a causar no decorrer dos anos. Os danos causados pela mineração são irreversíveis, e são de ordem hídrica, sonora e no solo.

Os resíduos da atividade da mineração são absurdos! Um dos minérios que é melhor aproveitado é o ferro, mas 40% apenas é aproveitado para o comércio e utilização, o restante não é aproveitado e só polui. A quantidade de água utilizada na extração é absurda, e cedo ou tarde os resíduos vão entrar em contato com a água dos rios e dos lençóis hídricos.

Apesar de ter pesquisado em mais sites, achei que este aqui traz as informações de forma bem fácil de entender, mas é só dar uma olhadinha rápida no google acadêmico que você vai encontrar trabalhos maravilhoso sobre o assunto.

A extração de minérios também traz diversos danos sociais, estimulando o trabalho escravo, violência, disputa por terra, deixando milhares de pessoas desabrigadas no mundo inteiro, e pode ser sim responsável por conflitos entre diversos países. Dessa forma, vocês não se sentem um pouco responsável por essas questões que tiram nosso sono?

Dizemos que não conseguimos viver sem esses bens materiais, que o mundo moderno e tecnológico proporciona diversos benefícios e pode salvar a vida de muita gente. Que as guerras foram fundamentais para o avanço na tecnologia, na ciência, na cultura e na filosofia, e que os danos ambientais são necessários para a manutenção do bem-estar do ser humano. E ainda, no auge de nossa arrogância, dizemos que somos superiores aos outros habitantes do planeta terra, que só estamos aprimorando seus recursos e utilizando-os de forma criativa.

Eu acho isso uma grande forma de se livrar da culpa. 

Não nego que os avanços tecnológicos são maravilhosos, e que o ser humano é incrível (tipo, sou fã da gente, sério mesmo). Só que pensando de uma forma crítica, o que estaríamos dizendo além de que proporcionamos a morte a cada ato que praticamos? Somos nada além de ferramentas da morte, facilitamos a morte do mundo a cada passo que damos, a cada ato revolucionário do auge de nossa criatividade.

Por isso costumo dizer que somos servos da morte, estamos aqui para prestar o serviço de dar contexto para o término de tudo. Falo isso não de forma mística, mas em termos de metáfora, pois ela é o meu recurso favorito. Digo isso pois, conforme a gente vai aprendendo na escola, sabemos que as borboletas são responsáveis pela pulverização, e graças a elas as plantas são sabiamente espalhadas por aí. E o ser humano?

Nós destruímos e consumimos! 

É como se fossemos o botão de auto destruição do planeta terra, que coloca em si mesmo um prazo de validade, a contagem regressiva para se tornar completamente estéril e morta. Filhos dessa terra, destruímos a nós mesmos e usamos diversos argumentos para isso. Dói saber que somos tão caóticos, que temos uma função tão difícil de cumprir, e que nossa existência é a fonte da vilania do mundo… então culpamos não a nós, como indivíduos e muito menos enquanto coletivo, mas ao outro. Culpamos aquela outra pessoa, um outro alguém, o vizinho que não lembra em nada você, e que te coloca na categoria do diferente, que pode provocar a mudança.

Fazemos, assim, atos tão caridosos que escondem essa outra parte que nos pertence, ou então compensamos a parte vilã que conhecemos, cujo os danos queremos reparar, e talvez haja ainda a possibilidade de assumir e utilizar essa parcela destrutiva em benefício próprio. O que define o que cada um de nós vai escolher? Bem, vou deixar para pensar no próximo post. 😀


para pensar:
O declínio da mineração e seu legado na América Latina | Watchmen

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